skip to Main Content
Sistema Acadêmico ENTRAR
Noticia Entrevista

Entrevista com a Professora Monique Gonçalves e seus alunos participantes do Projeto de Iniciação Científica no laboratório do ISERJ

A Professora do Curso de Química da FTESM, Monique Gonçalves, orienta seus alunos em um projeto de Iniciação Científica no Laboratório de Química do Iserj.
Os alunos que estão fazendo a iniciação científica são Giuly Fernandes, Lívia Fernandes do Amaral, Fernanda Sant’Anna e Taylor Paz.

Entrevista com a Professora Monique Gonçalves:

1) Professora Monique Gonçalves, obrigado por nos conceder esta entrevista. A senhora é formada em Química pela UFRJ, e se especializou em Química Orgânica, certo? Por que Química? Por que Química Orgânica?

Porque sempre fui curiosa; gostava de brincar com aqueles kits do pequeno químico quando criança, ver as misturas mudando de cor, as reações acontecerem… ficava pensando: Como aquilo ocorre? Por que acontece? Por que nem todas as coisas líquidas se misturam?
Eu tinha também um brinquedo que fazia “mágicas”, e nele havia diversos líquidos coloridos, que traziam algum fenômeno, como mudança de cor, ou a formação de algum sólido, ou ainda a formação de algum gás (devia ser CO2).
Depois, já no 9º ano (antigamente era 8ª série), eu comecei a ter essa disciplina na escola, e me encantei cada vez mais com o estudo dos modelos atômicos, pois começamos pelo estudo do ÁTOMO. Ficava fascinada com as proposições dos primeiros cientistas; sempre os admirei muito.
Química Orgânica porque foi a área com que mais me envolvi durante a graduação em projetos de Iniciação Científica e Jornadas de Iniciação Científica; mas, principalmente, por achar fantástica a área de Química Medicinal, através da proposição e da síntese de novos fármacos, e todo esse planejamento, até chegar ao trabalho de bancada.
Fiz meu trabalho de conclusão de curso (TCC) em Química Orgânica com um professor EXCELENTE que muito me motivou, com formação em Farmácia, o professor Edson Lima. Nesse projeto sintetizei um possível fármaco com atividade anticoagulante. Infelizmente não colocamos para teste, pois o professor saiu da UFRJ e foi trabalhar na indústria farmacêutica, em Campinas.

2) Qual a sua experiência em pesquisa e ensino?

Minha experiência em pesquisa se iniciou nos laboratórios da UFRJ, com a Iniciação Científica; SEMPRE estive envolvida em algum projeto, em todos os períodos da graduação. Passei pelos departamentos de Química Orgânica e Inorgânica. Era apertado conciliar com tantas matérias, mas o ganho foi enorme, com os trabalhos de pesquisa em bancada, idas a congressos e participações em jornadas de iniciação científica.
Depois me dediquei à pós-graduação, onde o trabalho de pesquisa é a nossa motivação. Fiquei na área de síntese orgânica, minha maior paixão!
Comecei a me dedicar ao ensino de química ao final do meu curso de Mestrado, com turmas de ensino médio.
Depois da defesa do mestrado cheguei a trabalhar por um ano na indústria química, na área de cosméticos; no entanto, lecionar me movia com maior motivação, e por isso acabei deixando a indústria e me dedicando à docência.
Ao final de 2007, após ter defendido minha dissertação de Mestrado, passei no meu primeiro concurso como professora, para a Secretaria de Estado de Educação. E não parei mais de dar aula…

3) A ciência exige sempre grande dedicação e rigor. É difícil trabalhar a ciência com os adolescentes do Ensino Médio?

Os adolescentes são curiosos, e gostam de novidades.
Por ocasião da primeira ida ao laboratório, com turmas de primeiro ano, é comum eles perguntarem se iremos explodir alguma coisa…
Essa é a ideia que a mídia passa pra nós, não é?! E os alunos chegam com essa percepção sobre a química.
Quando vamos para o laboratório, os alunos tendem a se interessar mais pela ciência, pois acabam participando ativamente do processo e construção da aula.
Atualmente o mais difícil é a pouca verba e investimento de nosso governo para nosso laboratório, para o ensino de um modo geral. Há gastos de reagentes, vidrarias, enfim, precisamos repor esse material.

4) Penso que a aula de uma ciência, como a Química, exige, ao lado do ensino estrito de fórmulas, a visão filosófica da ciência e a prática laboratorial. É possível trabalhar todos esses lados da Química no EM do Iserj?

O laboratório do Iserj é uma belezura… LINDO DEMAIS. Eu me lembro da primeira vez que estive nele, há quase 4 anos, quando assumi minha matrícula na FAETEC. Pensei: “Nossa, vai dar pra fazer muitos trabalhos aqui”.
Nele, contamos com um excelente espaço físico e materiais de vidrarias, o que nos permite acomodar e trabalhar nossas turmas.
Mostramos alguns fenômenos químicos, através de experimentos controlados, que a química é muito mais do que fazer bombas ou sintetizar drogas, que é a visão deturpada da nossa ciência.
E que, principalmente, a química está exatamente em tudo que usamos, vestimos e consumimos, apresentando a visão filosófica da ciência.

5) Fale para nós sobre o Laboratório de Química, como e quando foi criado, que dificuldades enfrentou, com que forças positivas conta?

Esse atual laboratório de Química do Iserj foi possível em 2006, através de um projeto financiado pela FAPERJ.
Os professores Jorge Queiroz, Elisabeth Louro e Marilza foram quem escreveram o projeto e submeteram à FAPERJ e ganharam uma verba para a reformulação do espaço. Ajudaram ainda na organização do laboratório, que tinha muito material depositado, inclusive materiais de outros laboratórios.
As dificuldades que ainda enfrentamos é a reposição de materiais, como o reagentes químicos para as aulas.
A vontade que a equipe de química nutre para que o trabalho dê certo é a nossa força positiva! Contamos com nosso trabalho!!!

6) Fale por favor sobre a Iniciação Científica que a senhora está orientando. Qual a instituição de fomento? Quais os alunos participantes? Que trabalhos estão realizando?

Atualmente estamos realizando dois projetos de Iniciação Científica. O primeiro é uma parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro, IFRJ – unidade Maracanã, com o professor Raphael Salles F. Silva.
Estamos trabalhando com corantes naturais para aplicação em alguns cosméticos.
As alunas que estão nesse projeto são: Giuly Fernandes, Lívia F. do Amaral, Fernanda Sant’Anna, que fazem graduação em Química na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da FTESM.
O outro é uma parceria com o SENAI, com o professor André Simões, na área de síntese orgânica. E o aluno que está tocando esse trabalho é o Taylor Paz, que também faz graduação em química.
Ainda não há uma instituição nos financiando; contamos com a colaboração entre as instituições.

7) Que mais a senhora gostaria de acrescentar?

Agradeço a atenção e a disponibilidade por vir nos conhecer, e fazer essa matéria.
Agradeço à direção do Iserj por ter autorizado o uso do espaço para esse trabalho de Iniciação Científica.
Agradeço ainda aos colegas da equipe que estiveram envolvidos na reformulação deste laboratório muito antes de eu chegar aqui no Iserj: Jorge, Elisabeth e Marilza.

Back To Top
Pesquisar